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Domingo, 8 de Abril de 2007

FRIDA - A VIDA PELA ARTE

 

"Frida" - O FILME

 

Frida Kahlo é uma rapariga rebelde e claramente azarada.  Num determinado dia, perante a necessidade de usar como meio de transporte o autocarro e optando por não esperar pelo próximo, corre a apanhar aquele que acaba de partir. Segue neste e, de repente, ocorre um acidente e o autocarro vai de encontro à esquina de um edifício.

Do acidente resultam inúmeras lesões no corpo de Frida. Naquele momento, Frida torna-se arte, a sua própria arte. E foi por pouco que ela se salvou. Ficou com a coluna vertebral partida, tal como a clavícula, duas costelas e a pélvis, partida em 3 locais. Atravessou-a, no acidente, uma vara de metal que a penetrou pelo lado direito do corpo e tendo saído pela vagina. Sofreu 11 fracturas na perna direita e o pé esmagado.

 

 

 

Uma vez garantida a sua sobrevivência, é tentado que ela volte a andar.

O processo é longo e demorado e resulta em sucessivos fracassos. Frida está constantemente deitada e tem o corpo envolto em gesso. Obviamente, que durante o processo de a envolverem em gesso, o seu corpo tem de estar suspenso e preso de alguma forma, uma vez que a sua estrutura não é auto-suficiente. O pai oferece-lhe um cavalete próprio para ela pintar mesmo na cama, numa tentativa de consolar o seu enorme sofrimento e fazê-la esquecer as horríveis dores que tem.

 

"Existe luz. A loucura não existe. Somos os mesmos que já fomos e seremos. Não contando com o estúpido destino.”

Frida

 

Ao fim de muito tempo, Frida, graças à sua enorme força de vontade, consegue largar a cama e passar para uma cadeira de rodas. Mais tarde, conseguirá mesmo levantar-se e andar, primeiro com o apoio de uma bengala, depois pelo seu próprio pé.

Tenta vender os quadros que pinta, numa tentativa de ganhar a vida e ajudar os pais.

Acaba por casar com um famoso pintor de murais, Diego Rivera, e por engravidar deste, o que a deixa radiante. Claro que tendo em conta a fragilidade da sua estrutura óssea após o acidente, é uma gravidez de risco e Frida acaba mesmo por ter um aborto involuntário. Todas as desgraças com que a vida a bombardeia acabam por inspirá-la na sua obra. Os seus quadros vão reflectindo o seu sofrimento, incluindo agora também o tema do aborto.

 

 

 

Passeia com o marido, saindo do México, para a América. O marido continuamente infiel, acaba mesmo por trair Frida com a própria irmã, a quem ela era muito ligada. Frida fica de rastos.

 

"Na minha vida tive dois grandes acidentes: o autocarro e meu casamento com Diego. Diego foi o que mais doeu.”

Frida

 

 

 

 

Entretanto Frida acaba por defender a causa comunista, por influência do marido. Perdoa a irmã pela traição, tendo em conta a força dos laços que as unem. A irmã e o amor que sente por ela, é um dos temas frequentes nas suas obras. Frida acaba por trair também o marido com Trotski e estabelece ainda casos com mulheres.

Anos mais tarde começa a ocorrer o processo inverso. Volta a regredir a saúde de Frida, piora o seu estado. Vai ao médico, voltando a necessitar de uma estrutura metálica que lhe garanta o suporte da coluna, novamente mais fragilizada. O médico apercebe-se também do péssimo estado dos seus pés gangrenosos. Terá de os amputar. 

 

"Quem precisa de pés quando se têm asas?"

Frida

 

 

O estado de Frida continua a piorar. Cada vez se aguenta menos em pé, passa todo o tempo deitada. Além disso, está muito perto de ter uma pneumonia. O médico proíbe-a de deixar a cama, apesar de saber o quão importante é a sua primeira exposição no próprio país. Frida, que apesar da doença e dos azares da vida, mantinha o seu espírito determinado, consegue que a levem à exposição, sem desrespeitar a ordem médica, vai na sua cama.

Tem consciência de que não durará muito mais e oferece ao marido um presente dos seus 25 anos de casados, uma semana antes da data. E acaba mesmo por morrer, tal como previa, aos 47 anos.

 

“Espero que a saída seja alegre. E espero nunca mais voltar.”

 Frida

 

 

 

FRIDA –  a realidade  (1907-1954)

 

O filme, entretanto, exalta alguns mitos que podem tombar com as revelações ao longo das páginas do seu diário. Por mais que se tente humanizar o seu esposo e adorado Diego Rivera, interpretado por Alfred Molina, sabe-se que a história não é bem assim. Kahlo amava Rivera como homem e filho, que nunca teve, e colocou esse sentimento em tinta nas telas e nas páginas pálidas do seu íntimo "cada momento, ele é meu filho, meu filho nascido a cada instante, a cada dia, de mim mesmo."; o sentimento, todavia, não era recíproco. Apesar de ser leal a Frida e com ela ficar até a morte, Rivera nunca foi a figura carinhosa e bonacheirona que o filme pinta. Rivera traiu a pintora diversas vezes, inclusive com a própria irmã de Frida, Cristina, e com Maria Félix, com quem manteve um caso de domínio público, enquanto Frida permanecia na sua cadeira de rodas após amputar a perna direita.

A pintora, não obstante, estava ciente da personalidade evasiva de Rivera. Dele se separou em 1939, voltando a casar-se em Maio de 1940. O filme dialoga com esse momento e reproduz confissões do diário de Frida:

"melhor amá-lo pelo que ele é do que amá-lo pelo que ele não é. Gostaria de pintar-te, mas não há cores, por haver tantas, em minha confusão, a forma concreta de meu grande amor."

Frida, antes de tudo, sabia sentir. Virgínia Woolf mencionava que "a dor é irreproduzível", mas a pintora derrubou esse mito. Frida conhecia a dor, mas, também, a alegria, conforme os seus quadros atestam.

Para ela, os dois sentimentos não eram algo distintos, mas complementares. Aos 7 anos, a sua perna ficou para sempre coxa, facto derivado da poliomielite. Onze anos depois, num acidente de trânsito, o corrimão do autocarro atravessa-lhe o corpo. O corpo banhado em sangue e pó de ouro, que um pintor carregava na hora do acidente, cobriu-lhe a face. Frida ficou entre a vida e a morte. O seu sonho de estudar Medicina acabou naquele momento. Ao acordar do coma, Frida descobre que fora abandonada pelo namorado, cuja família não aprovava o namoro pela diferença de classes, com 70% do corpo mergulhado em gesso e com a alma dilapidada. Meses em coma, 4 abortos e mais de 35 cirurgias para costurar o esqueleto — figura constante em seus quadros. Saldo negativo? Não, Frida abraçou ainda mais a vida

O filme é fiel ao renascimento de Frida. Com o apoio de uma bengala, começou a pintar e fez dessa arte a sua vida. No caso da pintora, a vida imitou a arte. Casou-se com Rivera e abraçou a causa comunista. Com as constantes traições do marido, ela começou também a manter casos extraconjugais, entre eles com Trotski, o escultor Noguchi, contando, também, com alguns casos homossexuais, cujas parceiras, grande parte amantes de seu marido, a consideravam ainda melhor do que Diego Rivera.

Se a proposta era exibir Frida e pedaços de sua vida, que não podem ser costurados com uma linha e ponto simples, Salma Hayek acertou na mosca. Faltou, porém, contar que a verdadeira Frida apanhou inúmeras vezes de Rivera, se embebedava constantemente às voltas com a sua tristeza e, quando já não podia mais andar, frequentemente era visitada pela ideia do suicídio.

O filme, que visualmente é bonito, parece que preteriu a dor de Frida pela estética do perfeito, tanto que ganhou o Óscar de 2003 pela maquilhagem. Frida está além e não pode ser percebida com a visão exclusivista de um director. Quando as luzes se acenderem e cada espectador voltar para casa, sozinho ou acompanhado, tranquilamente levará, consigo, a certeza de que Frida não pode ser resumida em 140 minutos de projecção. Afinal, "quem precisa de pés quando se têm asas?" E Frida fecha o seu diário para cair na graça do público e imortalizar a sua dolorida, mas revolucionária arte.

 
publicado por Dreamfinder às 11:05

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Domingo, 1 de Abril de 2007

A MINHA VIDA SEM MIM

                               

Porque hoje é dia das mentiras pareceu-me bastante adequado escrever sobre um dos filmes que vi, nos últimos tempos, e que mais me marcou : “A Minha Vida Sem Mim.” É um filme que nos permite reflectir sobre a vida e, sobretudo, sobre a morte, particularmente quando ela nos é antecipadamente anunciada. Quando deixamos de nos sentir alguém presente, para nos sentirmos apenas um quase eterno passado. Quando a vida parece uma verdadeira mentira, na qual nos tentámos iludir. Quando deixamos de ser vida, de ser projectos a longo prazo, de ser objectivos, para sermos meses, talvez semanas… Quando apenas a morte é certa. E de tal forma certa que, simplesmente, se perde a força de viver. Porque sabemos, mais do que nunca, que será em vão…

Tudo começou com uma indisposição e um desmaio. No hospital, depois de muitos exames, e de o médico ter ido com ela para uma sala e se ter sentado ao seu lado, informa-a de que tem um tumor nos dois ovários, que atingiu o estômago e começa a espalhar-se pelo fígado. Além disso, é muito nova, motivo pelo qual as células se multiplicam mais rapidamente, e não poderão fazer muito por ela.

 

“- Ann, se tivesse mais anos espalhar-se-ia mais lentamente e podíamos operar. Mas… As suas células são muito jovens, demasiado jovens e receio que não possamos fazer nada.

- Quanto tempo?

- Dois meses, talvez três.”

 

O médico acaba por confessar o motivo que o fez vir para ali, em vez de lhe dar a notícia no seu próprio consultório. Afinal como é que um médico informa um paciente de que vai morrer?

 

“Não consigo sentar-me diante duma pessoa e dizer-lhe que vai morrer.”

 

O médico dá-lhe uns folhetos informativos, e umas receitas que ajudam a aliviar as náuseas. Quando chega a casa Ann mente à família, diz tratar-se de anemia. Perante a certeza da morte, Ann vai pensando na sua vida. Sempre ao lado do mesmo homem, Don. De quem engravidou ainda muito nova e com quem vive, juntamente com as suas duas filhas, numa velha e pequena caravana.

Ann vai escrever uma lista de coisas que deve fazer antes de morrer, vai projectar a sua vida sem ela, com a plena consciência de que a vida não lhe reserva já um lugar, o futuro lhe não pertence - “Things to do before I die”:

 

“1. Dizer às minhas filhas que as amo várias vezes ao dia.

2. Arranjar ao Don uma nova mulher de quem as meninas gostem.

3. Gravar mensagens de parabéns para as meninas até aos 18 anos.

4. Irmos à praia juntos e fazermos um grande piquenique.

5. Fumar e beber tanto quanto eu quiser.

6. Dizer o que penso.

7. Fazer amor com outros homens para ver como é.

8. Fazer alguém apaixonar-se por mim.

9. Ir ver o meu pai à prisão.

10. Pôr unhas postiças (e dar um jeito ao cabelo).”

 

Esta lista evidencia o desejo de alguém que sabe que vai morrer. E como essa certeza é cruel. Ann coloca como tarefas tudo aquilo que nunca fez (fazer amor com outro homem ou fazê-lo apaixonar-se por si), ou o que deveria ter feito mais vezes (dizer às filhas que as ama, ir à praia, ir ver o pai, ter um novo visual) ou ainda preparar um futuro sem ela (gravar mensagens para as filhas e arranjar uma namorada para o Don).

Evidencia também a necessidade de afecto.

 

“Mas nem todas as drogas do mundo vão alterar a sensação de que a tua vida foi um sonho do qual só agora acordas.”

 

Ann acaba por conhecer Lee e iniciar uma estranha relação. Ela passeia com ele, ele lê-lhe livros, encontram-se cada vez com mais frequência.

                    

 

“As capacidades dela desaparecem uma a uma e não há noite nem estrelas, apenas uma cave donde ela nunca pode sair e onde mais ninguém pode ficar. Dão-lhe medicamentos que lhe fazem mal, mas que a impedem de morrer. Por algum tempo. Eles estão assustados. Eu estou assustado.”

(livro de John Berger lido por Lee).

 

Até que Lee lhe revela que está apaixonado por ela, que se sente muitíssimo mal quando a vê partir com o marido e que chora por ela, que quer viver o resto da sua vida com ela, tratar das suas filhas, ser feliz ao seu lado. Ela percebe que foi longe de mais. E nunca mais vai ter com ele pois sabe que o fará sofrer ainda mais.

Ann acaba por deixar também uma mensagem a Don dizendo que o ama e uma mensagem a Lee para que ele saiba que ela se apaixonou verdadeiramente por ele. Mas ela nunca cedeu, nunca disse a ninguém que estava a morrer…

                 

“Havia de ter a sensatez de não folhear os álbuns de fotografias; mas não conseguiria deixar de visualizar as imagens que tinha na cabeça – dos momentos desperdiçados porque se supunham infinitos, das noites em que os dois, cansados, se tinham contentado com uma breve carícia em vez de um enlace impetuoso, voltando as costas um ao outro e dispondo-se a um sono gratificante, na convicção total de que ambos teriam outra oportunidade, no dia seguinte, ou no sábado de manhã. Todas essas oportunidades tinham sido enfiadas numa bola de trapos, que um destino indiferente se encarregara de arremessar para bem longe.”

Jacquelyn Mitchard, Um Natal que não esquecemos

publicado por Dreamfinder às 16:39

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Domingo, 25 de Março de 2007

I AM SAM - A FORÇA DO AMOR

Sam Dawson é um pai diferente… Desde o primeiro dia, em que ficou com a pequena Lucy Diamond (nome escolhido devido a uma música dos Beatles) nos braços e viu a mãe desaparecer. É um pai diferente devido às inúmeras limitações que o perseguem. Além das dificuldades que podem suceder a qualquer pai que tenha de cuidar de uma criança sozinho, Sam apresenta deficiências mentais, tendo sido o seu QI avaliado como idêntico ao de uma criança de 7 anos. Sam é um pai meigo e atencioso, certamente mais infantil que os outros, mas também muito mais puro e sincero, e até aos 7 anos consegue criar a filha, a filha que tanto adora. Com uma visão diferente do mundo, transmite-o à filha, com todo o amor e carinho. Com a filha lê, brinca, conversa, sorri… e fá-la sorrir e acreditar nos seus sonhos.

 

“Nunca limites os teus sonhos, Lucy.”(Sam)

 

Porém, a justiça decide interpor-se e tirar-lhe a custódia da menina, por pensar que o pai não poderá acompanhar o progresso da filha, tornando-se prejudicial para ela.

Sam vai travar uma verdadeira luta em tribunal, com o apoio de Rita Harrison Williams, uma conceituada advogada que tem os seus próprios problemas: um marido que não aparece em casa e que a trai, um filho carente de afectos e revoltado com tudo e todos. Apesar do amor que o une a Lucy ser mais forte que qualquer conceito de justiça, a luta parece, a cada dia que passa, impossível já que se torna muito difícil para Sam testemunhar em tribunal, pois fica ansioso, irrequieto, instável…

 

“- Que exemplo quer seguir como pai da Lucy?(advogado)
- Eu próprio. Eu admiro-me como pai.”(Sam)

 

Os seus amigos, também eles portadores de deficiência, estão sempre a seu lado, incontornáveis no amor a Lucy.

Rita aprenderá imenso com Sam. Deixa de ver nele o “deficiente mental” que olhou no primeiro dia, passa a ver muito mais profundamente, e é aí que descobre um homem dotado de uma sensibilidade extraordinária para a compreender, tal como a todos os que o rodeiam. Sam vai mudar a sua vida para sempre.

“Receio que tenha sido eu quem mais beneficiou desta nossa relação.”
(Rita)

 

Perante o desespero do pai que começa a acreditar que o melhor para a filha é afastar-se dele e ter uma nova família, é Rita que vai ter força para lutar e convencê-lo a provar que não há força maior que a do amor. Lucy, por sua vez, espera sempre o dia em que possa voltar a estar com o pai e, por várias vezes, tenta fugir.

 

“Eu não quereria pai nenhum senão tu.” (Lucy)

No final, I am Sam é uma memorável lição de vida acerca da força dos laços de amor e de como eles podem quebrar todas as outras barreiras.

“Como podemos ser tão diferentes e sentirmo-nos tão parecidos?”(Sam)

publicado por Dreamfinder às 21:09

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Domingo, 18 de Março de 2007

MEDIDAS EXTREMAS

 

                                                      

Um filme em que o Dr. Guy Luthan é um médico experiente e profissional, com uma enorme capacidade de comunicação com os seus pacientes, uma grande disponibilidade e empatia. Luthan procura sempre manter uma conversa com os seus doentes, que os acalme, e relatar-lhes os seus procedimentos. Numa determinada ocasião, Luthan tem um polícia baleado por um ladrão (também no hospital), ambos a necessitarem de cirurguia e apenas uma sala, pelo que tem de escolher. Opta por mandar o polícia para a sala, alegando mais tarde o facto deste ter família e de ter sido baleado pelo ladrão, e operar o outro, ele próprio naquele local.

Num dia, aparece-lhe um homem num estado muito estranho. Todos os seus sintomas são anormais, tal como o momento em que, sem justificação, fica estável.  Luthan não percebe o que se passou, acha tudo muito estranho. O doente soletra algumas palavras: o seu nome, um nome estranho – Triphase - , pede para procurarem determinado homem e pede ajuda ao Dr. Luthan. Pouco depois morre.

Cada vez mais intrigado com toda esta situação, o médico vai iniciar uma intensa investigação sobre o que se terá passado. E quanto mais avança, mais descobre o terreno incerto e perigoso que pisa. Só encontra incoerências: mentem-lhe, pelo telefone, acerca da causa da morte, o corpo desaparece tal como o seu registo de óbito, não encontra nenhum farmacêutico designado “Triphase”, não consegue descobrir a que hospital pertence aquela pulseira, que o falecido possuía.

Acaba por ver-se envolvido no caso. Alguém conseguiu que lhe encontrassem drogas em casa, depois da simulação de um assalto. Perde a licença de médico e a oportunidade de ir leccionar na Universidade. Alguém descobriu o seu olhar intrometido e quer arruinar-lhe a vida.

Mas ele não desiste e vai levar a sua investigação até ao fim.

No final percebemos que várias situações podem ser aquelas que nos levam a medidas extremas. As vítimas de vários tipos de paralisia, de tal forma movidas pelo desespero, estão dispostas a tudo para voltarem a andar, a ter uma vida que possam considerar normal, é a sua situação debilitada que as leva a “medidas extremas”. O médico neurologista está de tal forma empenhado nas suas investigações e no seu objectivo de eliminar este sofrimento do planeta, que fez todo o possível para o alcançar, através de “medidas extremas”.

 

“Morrem pessoas todos os dias para nada … Há muitas mortes sem sentido. (…) Se puder curar o cancro matando uma pessoa, não o faria? Uma pessoa e o cancro erradicado?” (Dr. Myrick)

 

O Dr. Luthan, desconfiado de tudo o que sem passado, faria qualquer coisa, tomaria todas as “medidas extremas” para poder descobrir a verdade encoberta.

 

“Talvez tenha razão. Aqueles homens lá em cima, talvez as vidas deles importem pouco. Talvez se tornem úteis para o mundo. Talvez sejam heróis. Mas não foi por escolha deles. A escolha foi sua. Não escolheu a sua mulher nem a sua neta. Não pediu voluntários. Escolheu-os. E isso não pode fazer. Porque é médico. E fez um juramento. E não é Deus. Por isso não quero saber que é capaz de fazer aquilo que diz ou se pode curar todas as doenças do planeta. Torturou e assassinou esses homens lá em cima. É pois uma desonra para a profissão. Oxalá vá para a cadeia por toda a vida.” (Dr. Luthan)

 

“Há esperança neste maço. O meu marido tentava fazer uma coisa boa, mas foi por maus caminhos. Talvez o senhor possa fazê-lo correctamente.” (Mrs. Myrick)

 

 

QUESTÕES  ÉTICAS:

 

O filme é rico em questões éticas da prática da Medicina.

A mais notável é, sem dúvida, o uso de sem-abrigo numa experiência, que quase sempre os leva à morte, sem o seu consentimento. Sem dúvida que a descoberta de uma forma de curar as paralisias seria uma grande descoberta para a Medicina, mas sobretudo para o Mundo. Porém, e apesar do objectivo ambicioso tomado pelo Dr. Myrick, os métodos não são claramente correctos, tocando mesmo a linha do desumano.

Quanto aos pacientes deste médico, que limites atinge o desespero, para chegarem ao ponto de concordar com o egoísta sacrifício da vida de outras pessoas pela sua liberdade de movimentos. Várias vidas, por uma cura.

 

“Quando se julgou paralisado, que faria para poder andar outra vez? “Tudo.” Você próprio o disse. Tudo. Esteve assim durante 24 horas. A Helen não anda há 12 anos. Eu posso curá-la e a todos como ela.” (Dr. Myrick)

 

O mais extraordinário neste filme, é a possibilidade de percebermos que não é difícil atingir este desespero, por muito moralistas ou eticamente correctos que sejamos. O próprio Dr. Luthan, aquando do seu falso diagnóstico de paralisia do pescoço para baixo, afirma que seria capaz de “tudo” para voltar a mover-se. De “tudo”.

Quanto ao Dr. Luthan há também a escolha inicial dos pacientes. Até que ponto ele foi justo na escolha do paciente para a sala de cirurgia. Escolheu o que estava em melhores condições pois a garantia de sobreviver era maior… Mas será que o raciocínio não deveria ser o contrário? O paciente, em piores condições, em maior risco de vida, não deveria seguir para a sala de cirurgia, numa tentativa de o salvar, e o outro ficar a ser operado na sala de urgências? E nós, quando futuros médicos? Como decidir numa fracção de momentos, quem escolher? Como conseguir obter uma decisão imparcial, justa e eticamente correcta?

publicado por Dreamfinder às 22:19

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Domingo, 4 de Março de 2007

FILHOS DE UM DEUS MENOR

No filme, o professor John Leeds, conhecido pelos seus métodos inovadores e pouco convencionais, chega àquela escola de surdos-mudos, tendo leccionado já nas mais conhecidas.

Ao contrário dos conservadores e limitados métodos da escola, John procura que os seus alunos encontrem motivação para aprenderem a falarem, tenta que se divirtam com jogos, que sintam a vibração da música… que sejam felizes.

Um dia conhece uma rapariga surda-muda, incapaz de soletrar uma única palavra, e que é empregada de limpeza. Descobre que ela se chama Sarah e foi uma das melhores alunas daquele colégio, mas que nunca prosseguiu os estudos.

Mais tarde, e à medida que cresce o seu amor por ela descobre que não fala porque, não só gozaram com ela devidos aos estranhos sons que emitia quando tentava falar, como também porque abusavam dela os amigos da irmã.

 

“ - O que é que ouves? É só silêncio? ( John Leeds )

  - Nunca ninguém cá entrou para descobrir. (Sarah)

  - Alguma vez me deixarás entrar?”

 

Ele procura chegar até ela. Devido a todo esse passado ela deixou de tentar falar,  preferiu fechar-se para sempre no seu silêncio e também se isolou, afastando-se da família e recusando-se a corresponder à atenção do professor. Ele tentou de tudo. Até que finalmente, aos poucos a foi fazendo ceder. Ao princípio Leeds vê Sarah apenas como um desafio enquanto professor. Convencê-la a voltar a tentar falar, a perder o medo, parece um desafio impossível. Mas aos poucos a sua relação de professor/estudante e esse desafio que ela representava para ele vai ganhando contornos de paixão e torna-se impossível para o professor estar longe de Sarah. Os dois começam a viver uma intensa história de amor.

“Enquanto não me deixares ser eu, como tu és, nunca entrarás no meu silêncio, nem me conhecerás.” (Sarah)

Num determinado dia, ao ver um espectáculo, em que os alunos de John dançam e a cantam, sendo generosamente aplaudidos pela assistência, Sarah fica triste e revoltada. Acaba mesmo por lançar a sua fúria contra um espelho, partindo e cortando-se na mão. Quando ele a encontra, Sarah apenas lhe pergunta se ele queria muito que ela falasse. A isto, John responde que não e que não a irá pressionar.

John e Sarah vão viver juntos na casa dele. Esta vivência é um verdadeiro desafio. Como vão coabitar numa mesma casa… Ele que sempre gostou de ouvir Bach, de falar; ela que não soletra uma única palavra, não ouve… Parece que esta relação está condenada à partida, pela incompatibilidade dos seus membros.

Ele traduz o mundo a Sarah pela linguagem gestual. É esta a expressão máxima do seu amor… Um amor tão forte, que com persistência de ambos os lados e contra todos os obstáculos que lhes surgem pela frente, é capaz de quebrar a barreira do silêncio que os separa.

“Achas que podíamos arranjar um lugar para nos encontrarmos? Sem ser no silêncio nem no som?” (John)

 
 

publicado por Dreamfinder às 20:00

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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007

"A VIDA NÃO É UM SONHO"

Não sou eu que o digo, mas depois do filme que vi (com esse mesmo título), o sentimento não pode ser outro. Comprei o filme recomendado no âmbito da disciplina de Introdução à Medicina e decidi-me finalmente a vê-lo. É trágico… como a vida, e gira em torno de diferentes tipos de vícios e dependências. É o drama paralelo de três jovens dependentes da droga e da mãe de um deles que, por achar que vai a um programa de televisão, começa uma dieta à base de comprimidos que lhe dão uma estranha energia. É um filme de limites. E onde até mesmo os limites são excedidos. Mas há um fio condutor, um objectivo comum às quatro personagens principais do filme: procurar uma vida melhor. Sara redescobre a felicidade com a ideia de aparecer na televisão, sonha com isso em todos os momentos. Mas quer levar aquele vestido vermelho que já não lhe serve… O que é aquela mulher capaz de fazer para emagrecer? Aumenta progressivamente a dose de comprimidos, mesmo sem ordem médica, até se tornar completamente dependente deles… os comprimidos vão levá-la à loucura. Acaba por ser internada numa instituição psiquiátrica e chega mesmo a ser tratada com choques eléctricos.

E aqueles jovens? Até onde são eles capazes de ir para obter a sua dose diária? Eles simplesmente não têm limites. Harry, apesar de adorar a sua mãe, desesperado para obter droga, vendia as coisas dela, particularmente a televisão, que esta voltava a comprar, mês após mês. Um ciclo vicioso, como a droga. Marion, namorada deste, é uma rapariga a quem os pais sempre deram tudo, excepto atenção. E Tyrone, o melhor amigo de Harry, vive diariamente o peso da discriminação por ser negro. Eles querem montar um negócio para viciados, de venda de drogas leves porta a porta. Mas rapidamente todos descobrem que será difícil atingir as suas aspirações…

Até que ponto resiste o amor quando os vícios se intrometem? E, sobretudo, quando a droga falta? Eles vão chegar ao limite. Harry e Ty partem para a Florida em busca de vendedores de droga. Marion vende o corpo, o orgulho, a dignidade em troca de droga. Ty acaba na prisão ao levar Harry ao hospital, devido a um enorme hematoma no braço por se injectar sucessivamente. O braço acaba por lhe ser amputado.

Muitas vezes as pessoas adquirem certos vícios para provarem que são livres, independentes, desregradas, que tudo podem… quando, na realidade, acabam por tornarem-se escravas desses mesmos vícios. E, iludidas por esse aparente poder, não se apercebem que nem sequer têm controlo sobre a sua própria vida. Só vivem com um objectivo: satisfazer o seu vício. É isso que os move. Que tipo de vida é esse?

“É difícil havermo-nos com os erros do nosso tempo. Se os enfrentamos ficamos desacompanhados, e se nos deixamos apanhar por eles não ganhamos com isso nem glória nem alegria. Para destruir servem todos os falsos argumentos. Para construir, não. O que não é verdade não é construtivo.”
Johann Wolfgang von Goethe

publicado por Dreamfinder às 18:42

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